História

Republica velha – A primeira República – Resumo

Primeira República

O período da história brasileira que vai de 1889 a 1930 recebeu dos historiadores diferentes nomes, dependendo do foco das interpretações: República do café com leite, República Velha, Primeira República etc.

Acompanhe uma aula com ilustrações logo abaixo para auxiliar no entendimento deste assunto. Logo em seguida continue com a leitura abaixo do Slide

Nessa época, foi marcante a influência de grandes fazendeiros na vida política de todos os estados do país. Muitos deles eram chamados de coronéis, numa referência ao título recebido pelos comandantes da antiga Guarda Nacional, criada em 1831 e extinta em 1918. O uso da palavra coronel tinha como efeito demonstrar o poder desses fazendeiros, que intimidavam os eleitores e as pessoas em geral. O tipo de dominação exercido pelos chamados coronéis ficou conhecido como coronelismo.

Nas primeiras décadas após a proclamação da República, foram poucas as mudanças nas regras eleitorais, em comparação com o que vigorava na época do Império. Todos os homens maiores de 21 anos (exceto os analfabetos) passaram a votar, mas a maioria da população continuou, por algum tempo, excluída: padres, soldados, mulheres e indígenas não tinham direito a voto. Ou seja, embora o número de eleitores tenha aumentado na Primeira República, ele não representava nem 10% da população.

Além disso, os eleitores não podiam votar livremente, já que os políticos, principalmente os coronéis de cada localidade, interferiam nas eleições. Essa interferência ocorria muitas vezes de forma violenta, como veremos a seguir.

Política de favores e voto de cabresto

Atualmente a economia brasileira é diversificada, isto é, oferece inúmeros serviços aos consumidores e produz uma, variedade de bens industriais, agropecuários etc. Além disso, de acordo com o censo demográfico realizado em 2010, de cada 100 brasileiros, aproximadamente 84 vivem em cidades.

No entanto, durante a Primeira República, a situação econômica e demográfica era bem diferente da atual, como podemos observar na tabela e nos dados a seguir:

POPULAÇÃO BRASILEIRA EM ATIVIDADE (1920)
Tipo de atividade econômicaMilhões de pessoas empregadasPorcentagem (%)
Agricultura6,369,7
Serviços1,516,5
Indústria1,213,8
Total9,0100,0

Fonte: Censo Geral de 1920.

Como você vê, em 1920, a economia e a sociedade brasileiras eram basicamente rurais. Quase 70% da população se dedicava à agricultura.

Boa parte dessas pessoas trabalhava para os “coronéis” ou proprietários locais e recebia pagamentos miseráveis. Como seus salários eram insuficientes, criou-se um sistema em que os coronéis “ajudavam” os trabalhadores, emprestando-lhes dinheiro e socorrendo-os, por exemplo, em caso de doença. Esse sistema era uma maneira de controlar os trabalhadores e criar uma rede de dependência em relação ao chefe local.

Mas o poder dos grandes fazendeiros ultrapassava os limites das fazendas e chegava às cidades. Os empregos e os cargos públicos em prefeituras, delegacias, escolas, cartórios e estações de trem, por exemplo, dependiam da influência desses homens. Dessa forma, muitas pessoas e profissionais como donos de armazéns, médicos, advogados, prefeitos, vereadores, delegados, juízes, padres e professores tentavam se aproximar dos poderosos locais em busca de favores. Isso caracterizava o chamado dientelismo, isto é, a prática de beneficiar com favores públicos um grupo de pessoas que demonstrava fidelidade aos coronéis.

Política de favores

Em troca desses favores, os coronéis exigiam o voto nos candidatos de seu partido, neles mesmos ou em seus familiares. Assim, conseguiam eleger prefeitos, governadores, vereadores, deputados, senadores e até influenciar na escolha do presidente da República. Quem se negasse a votar nos candidatos dos coronéis perdia seus favores e podia sofrer com a violência dos jagunços armados que trabalhavam para os fazendeiros.

Cumprindo ordens, os jagunços eram encarregados de controlar o voto dos eleitores, que naquela época era aberto. Essa prática de votar sob pressão ficou conhecida como voto de cabresto, em referência ao arreio usado para controlar burros e cavalos, comparando os eleitores a animais. No momento da eleição, muitas pessoas do povo eram obrigadas e pressionadas a votar em candidatos estranhos à sua vontade.

Além do voto de cabresto, para garantir a vitória dos candidatos ligados aos poderosos locais era comum a fraude das eleições. Veja alguns exemplos:

  •    falsificação de documentos para permitir que menores de idade e analfabetos votassem;
  •    inscrição de eleitores mortos;
  •    violação de urnas;
  •    adulteração e manipulação da contagem de votos.

As oligarquias

O coronel mais importante em cada município ou região aliava-se aos coronéis de outros municípios ou regiões para apoiar a candidatura e eleger o presidente ou governador do estado. Depois de eleito, o governador retribuía o apoio, destinando verbas para os municípios controlados pelos coronéis. Desse modo, vemos que a política estadual também funcionava com base na troca de favores (clientelismo).

Dificilmente essas verbas traziam benefício para a população. Mesmo que fossem construídas estradas e escolas, isso só acontecia por meio de alianças pessoais. Os municípios onde os coronéis não participavam das alianças não recebiam verbas, embora seus moradores continuassem pagando impostos. O resultado dessa política de alianças era a manutenção do poder político de cada estado nas mãos do mesmo grupo. No final do mandato, cada governador passava o poder a um aliado de seu grupo político.

Dessa forma, os grandes fazendeiros montavam redes que iam desde os municípios até o governo federal. Muitos historiadores chamam essas redes de oligarquias. Nelas, os poderosos locais estabeleciam alianças por meio do clientelismo e da corrupção.

No entanto, o coronelismo não foi igual em todo o Brasil. Em algumas regiões do Nordeste, os coronéis tinham muito poder e inclusive organizavam suas próprias forças militares. Já em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a força do coronelismo manifestava-se, por exemplo, na organização dos partidos políticos e na administração dos governos estaduais e municipais.

Relações entre os governos federal e estadual

Prudente José de Moraes Barros (1841-1902) foi o primeiro presidente civil da República, governando entre 1894 e 1898. Foi sucedido pelo político e fazendeiro paulista Manuel Ferraz de Campos Sales (1841-1913), que governou de 1898 a 1902. Campos Sales foi um dos responsáveis pela criação do sistema de alianças que ficou conhecido como política dos governadores.

Os governadores apoiavam o governo federal, ajudando a eleger deputados federais e senadores favoráveis ao presidente. Em troca, o presidente concedia mais verbas, empregos e favores aos governadores e seus aliados. Essa política reproduzia, no plano federal, o clientelismo que já ligava os coronéis aos governadores.

Na época, não existia no Brasil uma justiça eleitoral independente. Para julgar os resultados das urnas havia uma Comissão Verificadora das Eleições. Embora fosse ligada ao Congresso Nacional, essa Comissão distorcia os resultados. Aprovava a eleição de deputados e senadores que apoiavam o governo e dificultava ou impedia a vitória da oposição, numa prática conhecida como degola.

Política do café com leite

Por meio de tantas fraudes e alianças, as oligarquias estiveram no poder durante boa parte da Primeira República. Em São Paulo e em Minas Gerais, elas se organizavam em torno de dois partidos políticos: o PRP (Partido Republicano Paulista) e o PRM (Partido Republicano Mineiro).

Aliando-se aos proprietários de terras dos demais estados do Brasil, os políticos de Minas Gerais e de São Paulo lideraram a vida política do país à época. Como São Paulo era o primeiro estado em produção de café e Minas Gerais se destacava pela produção de leite (e era o segundo estado em produção de café), criou-se a expressão política do café com leite para se referir à aliança entre PRP e PRM, característica daquele período.

No entanto, a união entre essas oligarquias não explica toda a história política da Primeira República.

As disputas entre paulistas e mineiros

A alternância entre presidentes paulistas e mineiros na Primeira República não significa que os políticos desses dois estados sempre estivessem de acordo. Além disso, insistir na ideia de que a política se resumia ao “café com leite” reduz a complexidade da história desse período. Ao longo da Primeira República, houve vários momentos de divergências entre políticos desses dois estados.

Café com leite

Os paulistas estiveram fora das articulações presidenciais até 1914, quando foi eleito o mineiro Wenceslau Braz (que governou entre 1914 e 1918). E, durante a sua sucessão, novos problemas voltaram a acontecer: Minas Gerais aderiu imediatamente ao nome de Epitácio Pessoa, proposto pelos gaúchos, enquanto os paulistas se dividiam em torno de pelo menos duas outras candidaturas, a de Altino Arantes e a de Rui Barbosa.

Entre idas e vindas, os dois estados conseguiram finalmente realizar alianças em torno da candidatura de Arthur Bernardes (que esteve no poder entre 1922 e 1926) e de Washington Luís (cujo mandato ocorreu entre 1926 e 1930), mas voltaram a se separar em 1930.

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