Biologia

desequilíbrio ecológico nas teias alimentares

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Desequilíbrios nas teias alimentares

Como vimos anteriormente, os seres vivos fazem parte de um ecossistema, interagindo com os fatores bióticos e os fatores abióticos do ambiente. Vimos também que existe uma teia alimentar envolvendo as populações.

Alterações no ambiente físico podem gerar impactos nas teias alimentares. Uma mudança nas condições do solo, por exemplo, pode prejudicar a sobrevivência de algumas plantas, e os consumidores primários que se alimentam delas também podem ser afetados. Os desequilíbrios também podem surgir quando há alterações no ar e/ou na água: poluição, mudanças na temperatura e outras. Muitas das alterações nos fatores abióticos dos ecossistemas são causadas por atividades humanas.

Vamos ver um exemplo histórico, que ocorreu nas décadas de 1960 e 1970: nessa época tornou-se comum a aplicação de um inseticida, conhecido como DDT, no combate a mosquitos transmissores de doenças e insetos que atacam plantações. O DDT é uma substância tóxica e não é biodegradável, ou seja, não se decompõe na natureza.

Cientistas verificaram a presença de altas concentrações de DDT em peixes e pingüins da Antártida. Se o inseticida era usado em lavouras, principalmente no continente americano, como ele teria contaminado pingüins na região do Polo Sul?

Verificou-se que, como o DDT não é biodegradável, foi sendo levado para outros ambientes, distantes dos pontos onde eram aplicados, envolvendo os organismos pelas teias alimentares. Mas como tudo começou? As águas da chuva arrastaram o inseticida das lavouras até os rios, que desembocam no mar. O DDT era então absorvido por micro-organismos produtores da superfície do mar. Esses produtores são microscópicos e podem absorver substâncias dissolvidas na água do mar. Assim, cada organismo absorveu uma quantidade muito pequena, praticamente desprezível, de DDT. Os consumidores primários, ao se alimentarem dos produtores, também se contaminaram com o inseticida. Esses consumidores eram animais microscópicos, que, por sua vez, serviam de alimento a peixes pequenos.

Um peixe pequeno poderia comer uma centena de micro-organismos ao dia. Logo, os peixes passaram a apresentar DDT no organismo em uma concentração mais alta.

Peixes maiores alimentam-se dos peixes pequenos. Se um peixe consumisse dez peixinhos, a concentração de DDT em seu organismo se tornaria dez vezes maior do que em um peixe pequeno.

Quando a contaminação atingiu peixes que habitam as águas geladas da Antártida, pingüins também passaram a apresentar DDT no organismo. Os cientistas elaboraram essa explicação para o fato de descobrirem altas concentrações do inseticida DDT no organismo de pingüins na Antártida. Foi por meio da contaminação da água e das teias alimentares que o DDT aplicado em lavouras das Américas acabou afetando os pingüins.

O uso de DDT foi proibido em diversos países na década de 1970. No Brasil, sua proibição somente foi efetivada em maio de 2009. No entanto, ainda existem diversas substâncias lançadas na natureza, pelas indústrias ou pelas lavouras, que não sofrem degradação pelos decom-positores. Assim, elas podem se acumular no ambiente e no interior de organismos vivos, podendo causar doenças e afetar as populações dos ecossistemas.

O equilíbrio ecológico de um ecossistema também pode ser alterado quando uma espécie que não ocorre naturalmente nesse ecossistema é introduzida artificialmente na região. No Brasil e no mundo, existem vários casos de espécies de plantas ou animais que são levadas de um ecossistema para outro, acabam sobrevivendo e comprometendo a sobrevivência de espécies nativas.

A introdução de espécies estranhas em um ecossistema pode ser acidental ou intencional. Sementes de plantas e larvas de insetos podem ir de um lugar a outro quando alimentos, terra e outros materiais são transportados. Se as condições do lugar favorecerem a adaptação dessas espécies e não houver predadores naturais, podem se tornar pragas.

No século XIX, europeus decidiram levar, intencionalmente, casais de coelhos para a Austrália. Lá, os coelhos encontraram boas condições de sobrevivência e nenhum predador. Reproduziram-se muito e logo surgiu uma superpopulação, que precisou ser dizimada porque causou enorme desequilíbrio ambiental.

No Brasil, existem casos semelhantes, como o do pardal, passarinho nativo da Europa, que está vencendo a competição por alimento e espaço com o tico-tico, uma ave nativa. Outro caso já estudado é o da rã-touro, trazida da América do Norte para ser criada em ranários. Alguns indivíduos escaparam dos ranários e se espalharam pelo ambiente, onde competem com outras rãs e com sapos por alimento, além de se alimentarem de sapos pequenos.

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